terça-feira, 5 de abril de 2016

Porque és assim e eu gosto...



A noite traz-me o poder da mente. Leio-me por dentro e encontro-te. Não és um capítulo, nem tampouco um livro, és mais que a coleção que eu alguma vez poderei escrever pelo simples facto de não seres completa...
És incompletamente perfeita e nunca haverá um ponto final em ti! Nunca poderei alguma vez dizer que acabei de te ler, de te compreender, de te estudar... Nunca te acabarei por mais que te pesquise e por isso me questiono se alguma vez deixarei de te amar...
Já muito li sobre musas, sobre princesas, amores possíveis e impossíveis, mas todos eles tinham um fim, nem que fosse lato ao ponto de referir o tal "para sempre", mas nunca li, nem sequer vi, algo como tu!
Cada fio do teu cabelo conta uma história... Cada milímetro do teu corpo canta uma melodia... Cada inspirar e expirar teu traduzem uma vontade... Cada batimento do teu coração grita por vida e faz com que o meu pare...
Quero abraçar-te para todo o sempre, beijar-te por qualquer nunca e amar-te por estes dois extremos...
Agora posso adormecer... Já te revi no meu pensamento aberto pela noite e sei que já me posso permitir a descansar... Tu serás o livro que abrirei todas as manhãs e fecharei todas as noites como se fosse ler alguma oração para acordar ou adormecer, mas neste caso, será só para nunca me esquecer da tua complexidade e de saber que nunca poderei parar, pois o amor é algo que se constrói e se eleva a cada dia...
Obrigado por existires...


Ricardo Matos

segunda-feira, 9 de novembro de 2015



Tão pouco que desta vida vivi...
Em tempo, não falo de experiência!
Eu sinto que já muito aprendi
E ganhei também muita resistência.

Desta vida que passar eu já vi
Reparo em tão pouca consciência
De todos aqueles quantos perdi
Por praticarem tanta abstinência!

Era tanta a falta de noção
De tudo aquilo que podiam ter...
Se olhassem mais com o seu coração

Amor mais sério podiam viver.
Por tudo isto me tornei eu cantor
E sigo assim então cantando amor...


Ricardo Matos

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Do outro lado da janela





















Já ambos com certeza do que querem
jogam aos olhares de desafio
e riem a transmitir ambos, que sabem
ter o outro na barriga o mesmo frio.

Como é belo o amor que observo
do lado de cá desta janela.
E como sou da poesia servo,
escrevo o riso dele e o beijo dela.


Ricardo Matos
(12/10/15)


Poema inspirado na Mrs. X e no Mr. Y cujo original lhes foi entregue por direito próprio...

sábado, 9 de agosto de 2014

O melhor da vida



A lição de uma vida
É a vivência que ela traz.
Não há volta nem ida,
Escolhas boas ou más.

O que dela faz vida
É a escolha que o homem faz
E o medo de abrir uma ferida
Pode toldar a vinda da paz...

É preciso não ter pudor
E sentir-se cada momento
Como se único fosse.

Desliguemo-nos da posse
E viremo-nos com alento
Para o melhor da vida... o amor.


Ricardo Matos

terça-feira, 15 de abril de 2014

A melhor receita



Por vezes ermo, o caminho da vida
é doloroso de percorrer só.
Deseja-se voltar para a partida
e escolher outro caminho. Sem pó.

Parece magnífica, mas fingida
é apenas. Com um enorme nó
fica a goela por não ter guarida
qualquer e ver que se fica, então, só.

Mas ergue-te na vida alma abonada
de sentimentos e muita paixão.
Erma, às vezes, mas também encantada

é a vida de qualquer galifão.
Dá-lhe luta e supera toda a dor
com a melhor receita: a do amor...


Ricardo Matos

terça-feira, 1 de abril de 2014

Não é mentira



Mata-me a mentira deste miserável mundo!
A guerra de palavras parece interminável
e deixa a maioria psicologicamente no fundo,
destruindo a muitos uma possível vida agradável.

Morre de tristeza até o ser mais jucundo!
Perde-se a esperança e crê-se um mundo insanável
à sombra do que se espera o buraco mais profundo
em que a humanidade se encontra tão confortável.


Ricardo Matos

segunda-feira, 31 de março de 2014

O Amor



"O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..."


Fernando Pessoa