segunda-feira, 12 de março de 2012

Bosque secreto


Um pequeno infinito rio
Leva todo o seu secretismo,
Num ritmo mais gélido que o frio
Transporta-nos a um imenso abismo.

Com um muro de árvores despidas
Rejubila-se por ser tão imponente,
Mesmo sem grandes subidas ou descidas
Deixa o ser humano impotente.

Num bosque sem vida aparente
Não se sabe o que escondem os arbustos,
Com bestas que apareçam de repente

Que ao homem podem causar grandes sustos.
Um dia vaguearei aí sem medo?
Medo desse teu grande segredo…



Ricardo Matos

fotografia por Marta Santos

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sem ti


Levemente, de mansinho
Fui vagueando pela noite.
Vi-te ao longe, com carinho,
Mas marcaste-me de forte foice.

Não é de preocupar,
Já lá vai tempo escuro…
Tempo de me culpar,
De me encontrar desnudo.

Já é dia … levantei-me,
E pensei que ontem te vi.
Já é dia e lembrei-me
Que consigo viver sem ti.



Ricardo Matos

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A outra metade


"Quando este corpo meu esfacelado
Baixar á leiva húmida da cova,
Hão de os jornais carpir a infausta nova,
Taxando-me de sábio consumado.

Estalará na imprensa enorme brado,
Pedindo a ressurgência d’um Canova
Que a morta face em mármore renova
Para insculpir meu busto laureado.

E algum dos imbecis necrologistas,
Com soluçantes vozes de saudade,
Dirá em ricas frases nunca vistas:

'Esse génio imortal, rei dos artistas,
No céu pede ao Senhor que a outra metade
Reparta por vocês, ó jornalistas!'”



Camilo Castelo Branco

Julgo este grande Senhor verdadeiro merecedor de ver os seus poemas divulgados.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Resposta ao 'post' anterior


"Versejas sobre a “Espera”
Por nada estares a fazer.
Mas repara e recupera
O que acabas de escrever.

Porque se voltares a ler
Vês que escreves sobre a vida
Sobre o que é “não saber”!!...
O que toda agente olvida,
E torna tudo engraçado:
Se por causa de um amor,
Tu mesmo hoje soubesses
Que amanhã sofrerias,
Tentavas evitar a dor
E mesmo que tu quisesses,
Já nem esse amor vivias."



Manuel Matos

12-01-2012
Em resposta rápida ao meu filho Ricardo Matos

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Espera


Porque é que eu nunca sei o que me espera,
No decorrer de toda a minha vida?
Dizem-me que “quem espera desespera”
E eu só vejo um caminho de ida.

O preço de um erro pode ser caro,
Pode acontecer que eu tempo não tenha
Para voltar atrás, momento raro
Numa vida que o homem não desenha.

O que fazer então? Pergunto-me eu…
Hei-de esperar a ver o que acontece?
Mas por isso fazer ele sofreu

Sem que por isso o homem conta desse.
Sofrer traz sempre uma imensa dor,
Seja por morte, raiva ou amor…



Ricardo Matos

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades


"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía."



Luiz Vaz de Camões


Que mais dizer senão ... INTEMPORAL!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Segue vida!


O que sinto que é vago
É a merda quando cago,
Tudo resto tem de ter
Sempre uma razão de ser.

Tem de me dizer sempre algo
Tudo quanto na vida galgo,
Porque sem sentido não existe
Vida que muito tempo resiste.

Farto das infrutíferas lutas
Ide embora filhas das putas!
Levantar com algum sentido

É pra isso que tenho vivido…
Espero para o ano conseguir
Com a minha vida para a frente partir!


Ricardo Matos