segunda-feira, 9 de novembro de 2015



Tão pouco que desta vida vivi...
Em tempo, não falo de experiência!
Eu sinto que já muito aprendi
E ganhei também muita resistência.

Desta vida que passar eu já vi
Reparo em tão pouca consciência
De todos aqueles quantos perdi
Por praticarem tanta abstinência!

Era tanta a falta de noção
De tudo aquilo que podiam ter...
Se olhassem mais com o seu coração

Amor mais sério podiam viver.
Por tudo isto me tornei eu cantor
E sigo assim então cantando amor...


Ricardo Matos

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Do outro lado da janela





















Já ambos com certeza do que querem
jogam aos olhares de desafio
e riem a transmitir ambos, que sabem
ter o outro na barriga o mesmo frio.

Como é belo o amor que observo
do lado de cá desta janela.
E como sou da poesia servo,
escrevo o riso dele e o beijo dela.


Ricardo Matos
(12/10/15)


Poema inspirado na Mrs. X e no Mr. Y cujo original lhes foi entregue por direito próprio...

sábado, 9 de agosto de 2014

O melhor da vida



A lição de uma vida
É a vivência que ela traz.
Não há volta nem ida,
Escolhas boas ou más.

O que dela faz vida
É a escolha que o homem faz
E o medo de abrir uma ferida
Pode toldar a vinda da paz...

É preciso não ter pudor
E sentir-se cada momento
Como se único fosse.

Desliguemo-nos da posse
E viremo-nos com alento
Para o melhor da vida... o amor.


Ricardo Matos

terça-feira, 15 de abril de 2014

A melhor receita



Por vezes ermo, o caminho da vida
é doloroso de percorrer só.
Deseja-se voltar para a partida
e escolher outro caminho. Sem pó.

Parece magnífica, mas fingida
é apenas. Com um enorme nó
fica a goela por não ter guarida
qualquer e ver que se fica, então, só.

Mas ergue-te na vida alma abonada
de sentimentos e muita paixão.
Erma, às vezes, mas também encantada

é a vida de qualquer galifão.
Dá-lhe luta e supera toda a dor
com a melhor receita: a do amor...


Ricardo Matos

terça-feira, 1 de abril de 2014

Não é mentira



Mata-me a mentira deste miserável mundo!
A guerra de palavras parece interminável
e deixa a maioria psicologicamente no fundo,
destruindo a muitos uma possível vida agradável.

Morre de tristeza até o ser mais jucundo!
Perde-se a esperança e crê-se um mundo insanável
à sombra do que se espera o buraco mais profundo
em que a humanidade se encontra tão confortável.


Ricardo Matos

segunda-feira, 31 de março de 2014

O Amor



"O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..."


Fernando Pessoa

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Por um sorriso



De chuva se vestia aquela aurora
E envolta num pleno manto cinzento
Acordava a natureza que agora
Emana um sorriso de alento.

Sabe que não adianta e não chora
Por quem não lhe merece sentimento
e segue cantando em boa hora
por vida que leve bom andamento.

Ilumina o dia quando sorri,
traz o mais belo arco-íris ao mundo,
que sem querer acaba a vir em prol

de todos. E eu que até já o vi
Sei que prá frente virá lá do fundo
Um iluminar mais belo que o Sol.


Ricardo Matos