sábado, 3 de janeiro de 2009

Caros BANIFOS


Neste meu último dia

Venho mais uma vez agradecer

Tudo aquilo que, quem diria,

Me fizeram bem entender.


Bons momentos foram passados,

Bons momentos aqui tivemos

E reflectiu-se nos bons resultados

A união que todos temos.


Não encarem como despedida,

Mas antes como um até já,

Novo ano, nova vida

E o resto logo se verá!




Ricardo Matos


Este poema é de dicado aos meus amigos BANIFOS! Nunca vos esquecerei! Obrigado por tudo!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Camões...


Camões,
"quis Deus que fosse o meu nome."
Camões,
"acho-lhe um jeito engraçado,
bem nosso e popular
quando oiço alguém gritar:"
Camões, escreve-me um fado!

Camões,
"essa palavra ensinou-me,"
Camões,
"tu tens na vida que amar.
São ordens do Senhor,"
Camões "sem amor
não liga, tens de gostar.
E como até morrer
amar é padecer,"
Camões "chora a" escrever.

Camões,
"disse-me alguém com ternura,"
Camões,
"da mais bonita maneira!
E eu todo coração,
julguei ouvir então"
Camões, "pela vez primeira!"

Camões,
"tu andas agora à procura,"
Camões,
"daquele amor, mas sem fé!
Alguém já to tirou
alguém o encontrou
na rua, com o outro ao pé.
E a quem lhe fala em mim,
já só responde assim:"
- Camões? "Não sei quem é!"


Ricardo Matos



Este poema é adaptado da grande diva do fado, Amália Rodrigues. No entanto, a meu ver, Camões foi também um amante e sonhador, logo, tudo liga, tudo faz sentido.

domingo, 28 de setembro de 2008

A Saudade avassaladora


Estive bastante tempo sem aqui aparecer, sem vir aqui escrever! O último dos meus poemas foi em Julho, não postei nada em Agosto e aqui estou no final de Setembro! Mas não escrevo em poesia, desta vez estou a escrever em prosa! Não sei bem dizer-vos o que sinto, estou um pouco perdido!

Aconteceram-me muitas coisas muito boas este ano, mas por vezes sinto-me um pouco só nas minhas decisões, sinto-me um pouco desamparado, longe de tudo!
Neste momento há algo que está a abater-se sobre mim, algo que por vezes é bom quando sabemos que é por pouco tempo, mas que é mau e bastante penoso quando se prolonga durante dias, semanas, meses ...

Pensei estar "curado" se assim podemos chamar, mas ficou muita coisa cá dentro e não consigo expulsar isso, algo que me põe em baixo, me deixa cansado e até, meus amigos, me tira a inspiração!
É algo que foi retratado num poema já postado por mim há bastante tempo e que vou tornar a fazê-lo.

A saudade é pesada no meu caso, já provei de ambas e neste momento é a que tem o gosto mais amargo! Por quanto tempo? Gostaria eu também de saber! Se me souberem dar a resposta agradeço que o façam! Antes de postar o poema anterior quero agradecer a todos aqueles que têm estado ao meu lado e que me vão aturando.

Obrigado.



Saudade de ti

Ouvi...
De seguida chorei!
Choro saudoso porque senti
que aquilo que ouvi
foi de sonho quando me deitei!
Sorrio...

Foi bom
porque ouvi a tua voz...
Com leve som
de suave tom
que me faz lembrar-vos,
ó dona de meu coração!

Ouço...
De seguida choro!
Choro saudoso porque sinto
que aquilo que ouço
é de pensamento e coro!
Sorrio...


Ricardo Matos





domingo, 6 de julho de 2008

Com Camões


Será amor

“Fogo que arde sem se ver,

Ferida que dói e não se sente,

Um contentamento descontente”?


É fogo que arde em largas chamas,

Ferida que dói a bom sentir

Um contentamento por quem amas,

Mas que o coração te pode partir.


É ouvir o que outros dizem

Que te pode magoar

E que outros te pisem

Sem para trás olhar.


Dizias tu amigo Camões

Estas belas palavras de amor

Mas por vezes são camiões

Que te atropelam e causam dor.


Ricardo Matos



Este é um poema que há muito devia cá estar mas que andava perdido e me veio novamente à memória.

Eu sei que termina com alguma indeterminação ou indefinição, mas digamos que pode ser acabado consoante o que o amor fez a qualquer um!

Desafio-vos a terminarem-no.

domingo, 18 de maio de 2008

Pecado


É o que só sabemos fazer,

A cada passo vem o pecado

E logo vão dizer

Que é algo do diabo!


Vai de retro Satanás!

Não aflijas nossas almas!

Esse que tudo para o mundo traz

Para banir as suas calmas!


Guerras atiças

Armas levantas

O chão com sangue salpicas

E homens espancas!


És o ódio puro,

A traição obscena

És tudo o que há de duro

E não tens de ninguém pena!



Ricardo Matos



Eu sei que estive muito tempo sem escrever mas ando com alguma falta de tempo e de inspiração!

Espero que tenham gostado!

domingo, 13 de abril de 2008

O Jogo de Xadrez


"Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia
Tinha não sei qual guerra,
Quando a invasão ardia na Cidade
E as mulheres gritavam,
Dois jogadores de xadrez jogavam
O seu jogo contínuo.




À sombra de ampla árvore fitavam
O tabuleiro antigo,
E, ao lado de cada um, esperando os seus
Momentos mais folgados,
Quando havia movido a pedra, e agora
Esperava o adversário.
Um púcaro com vinho refrescava
Sobriamente a sua sede.




Ardiam casas, saqueadas eram
As arcas e as paredes,
Violadas, as mulheres eram postas
Contra os muros caídos,
Traspassadas de lanças, as crianças
Eram sangue nas ruas...
Mas onde estavam, perto da cidade,
E longe do seu ruído,
Os jogadores de xadrez jogavam
O jogo de xadrez.




Inda que nas mensagens do ermo vento
Lhes viessem os gritos,
E, ao refletir, soubessem desde a alma
Que por certo as mulheres
E as tenras filhas violadas eram
Nessa distância próxima,
Inda que, no momento que o pensavam,
Uma sombra ligeira
Lhes passasse na fronte alheada e vaga,
Breve seus olhos calmos
Volviam sua atenta confiança
Ao tabuleiro velho.




Quando o rei de marfim está em perigo,
Que importa a carne e o osso
Das irmãs e das mães e das crianças?
Quando a torre não cobre
A retirada da rainha branca,
O saque pouco importa.
E quando a mão confiada leva o xeque
Ao rei do adversário,
Pouco pesa na alma que lá longe
Estejam morrendo filhos.




Mesmo que, de repente, sobre o muro
Surja a sanhuda face
Dum guerreiro invasor, e breve deva
Em sangue ali cair
O jogador solene de xadrez,
O momento antes desse
(É ainda dado ao cálculo dum lance
Pra a efeito horas depois)
É ainda entregue ao jogo predileto
Dos grandes indif'rentes.




Caiam cidades, sofram povos, cesse
A liberdade e a vida.
Os haveres tranqüilos e avitos
Ardem e que se arranquem,
Mas quando a guerra os jogos interrompa,
Esteja o rei sem xeque,
E o de marfim peão mais avançado
Pronto a comprar a torre.




Meus irmãos em amarmos Epicuro
E o entendermos mais
De acordo com nós-próprios que com ele,
Aprendamos na história
Dos calmos jogadores de xadrez
Como passar a vida.




Tudo o que é sério pouco nos importe,
O grave pouco pese,
O natural impulso dos instintos
Que ceda ao inútil gozo
(Sob a sombra tranqüila do arvoredo)
De jogar um bom jogo.




O que levamos desta vida inútil
Tanto vale se é
A glória, a fama, o amor, a ciência, a vida,
Como se fosse apenas
A memória de um jogo bem jogado
E uma partida ganha
A um jogador melhor.
A glória pesa como um fardo rico,
A fama como a febre,
O amor cansa, porque é a sério e busca,
A ciência nunca encontra,
E a vida passa e dói porque o conhece...
O jogo do xadrez
Prende a alma toda, mas, perdido, pouco
Pesa, pois não é nada.




Ah! sob as sombras que sem qu'rer nos amam,
Com um púcaro de vinho
Ao lado, e atentos só à inútil faina
Do jogo do xadrez
Mesmo que o jogo seja apenas sonho
E não haja parceiro,
Imitemos os persas desta história,
E, enquanto lá fora,
Ou perto ou longe, a guerra e a pátria e a vida
Chamam por nós, deixemos
Que em vão nos chamem, cada um de nós
Sob as sombras amigas
Sonhando, ele os parceiros, e o xadrez
A sua indiferença."






Este é um Poema de Ricardo Reis!




Vem na sequência do Post anterior!




É como um jogo de xadrez que os grandes políticos americanos encararam a guerra do Iraque?!


É como um Jogo de Xadrez que os Americanos encararam a Guerra do Golfo?!




É como um Jogo de Xadrez que os Alemães encararam o Holocausto?!






Pensem todos nisto por favor ...

"A Cada Não Que Dizes"




A Rami al-Dura, de 12 anos, morto em 2000 pelas balas do ódio na Faixa de Gaza.


(Pedro Abrunhosa | Pedro Abrunhosa)


"Lento,
Eu vi morrer o tempo,
Morto por fora e por dentro,
Como um pai enganado,
Um filho roubado,
Uma mão de soldado, um pecado,
Um cálice, um príncipe,
E num salto de lince,
Um fim que está perto,
Um quarto deserto,
Dois tiros no escuro, um peito feito no muro
E o rosto já frio, o som da morte no cio,
O passo a compasso
Das botas cardadas,
Espadas à espera,
O gume,
O lume da fera.
E ninguém percebeu que o mundo inteiro sou eu.


Longe,
Um mar que se rasga e me foge,
Uma dor que, por mais que se aloje, não vale o aço da bala
Coração que me embala, que estala, que empala no medo,
Um dédalo, um dedo,
Um gatilho já preso,
Um rastilho aceso, um fogo às cores pelo céu,
Desenhos loucos no breu,
Pintura pura a canhão,
Talvez vinte homens não cheguem,
Talvez aqueles me levem,
Talvez os outros se lembrem,
Que são homens como os que fogem
E nenhum Deus é maior,
Num ódio feito de dor,
E ninguém reparou que o mundo inteiro parou.


A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.
A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.


Fracos,
Como farrapos na cama,
Orgulho feito de lama, e o verbo ser a partir.
Palavras presas na alma, ruas de vento e vivalma,
Um límpido tiro, um suspenso suspiro,
Pietá nas notícias,
Gravatas impunes negando as sevícias
Vozes de ferro, de fogo, de fome, de fuga, de facas,
E as rugas pobres, já fracas,
Um poço morto de sede,
Grafftis numa parede,
E ninguém percebeu, que o mundo inteiro sou eu.


Outros,
Loucos, perdidos, sentidos certeiros,
Crianças feitas guerreiros,
A quem foi roubado o perdão,
Dois braços cheios de pão,
Napalm, na palma da mão,
Um fósforo fátuo,
Nos jornais o retrato
De um estilhaço, um abraço,
Um pedaço de espaço
De uma pátria sem chão.
Uma pétala pródiga, um remorso confesso,
Talvez a dor no regresso,
Talvez um dia o inverso,
Mas isso já eu não peço,
O mundo inteiro a fugir,
O mundo inteiro a pedir.
Que se oiça alto o teu Não.


A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.
A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.


Outros,
Fracos,
Longe,
Lento.

Não"




Este é o primeiro post que não tem um poema de minha autoria! Já há muito tempo que ando a pensar postar esta música pois ela realmente retrata a frieza de muitos homens de "h" muito muito muito pequeno que são cobardes!

Esse são aqueles que "Talvez (...)" não "se lembrem, Que são homens como os que fogem"

Enfim!

Que mais haverá para dizer?!

Acho que esta música e o presente vídeo retratam tudo!